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Alerta geral

02/08/2011

Enchentes no rio Taquari, Rio Grande do Sul, em Julho de 2011.

As últimas semanas deixaram boa parte da população do Rio Grande do Sul em estado de alerta devido à enorme quantidade de chuvas.

Os principais efeitos sentidos foram as cheias dos rios, que causaram enchentes em diversos municípios, e a instabilidade de encostas, que deram origem a severos danos estruturais em algumas residências estabelecidas em áreas de risco.

 Assistindo atônito a tamanho problema, ressurgiram no meu pensamento algumas questões fundamentais, que inclusive já debatemos por aqui: a ocupação de encostas (altas declividades) e áreas de inundação de rios e córregos (várzeas), reconhecidas como Áreas de Preservação Permanente (APPs). Reafirmo: se respeitássemos os limites estabelecidos pela natureza, provavelmente não seriam registradas tantas catástrofes.

 Além disso, outros dois fatores têm chamado pouca atenção, mas contribuem na mesma proporção para a ocorrência destes processos naturais desastrosos: a compactação e impermeabilização do solo em áreas urbanas (construções e infra-estrutura) e zonas rurais (cultivo agrícola desprovido das boas técnicas de manejo do solo); e as áreas de banhado que são aterradas para ampliação do cultivo agrícola.

 A compactação e impermeabilização do solo favorecem o escoamento superficial e, portanto, aumentam e aceleram o fornecimento da água da chuva para o leito dos rios. Isto acarreta no aumento dos níveis d’água e, consequentemente, dá origem às amplas áreas de inundação (várzeas).

 Na mesma proporção, o escoamento da água pluvial para rios e córregos é facilitado pela supressão das áreas de banhado (alagadiças), através de aterros construídos principalmente com a finalidade de ocupar estas regiões para desenvolver atividades de agricultura.

Estes banhados têm (ou tinham, no caso de já estarem aterrados) a capacidade de represar boa quantidade das águas das chuvas e, desta forma, retardar o envio da mesma para os cursos d’água, impedindo que o nível dos rios e, consequentemente o tamanho das áreas de inundação, sejam aumentados de forma rápida e abrupta.

 Em uma época não muito distante, era possível verificar que a elevação do nível dos rios persistia por diversos dias após cessar um período chuvoso. Hoje, poucos dias após o fim das chuvas, os rios estão voltando praticamente aos seus níveis naturais.

Estas constatações nada mais são do que reflexos da ausência do fornecimento paulatino das águas pluviais pelos banhados, e também da pouca infiltração de água da chuva no solo devido à impermeabilização/compactação, processos que favorecem o rápido escoamento das águas para os principais tributários das bacias hidrográficas e, posteriormente, para o leito dos grandes rios.

 Questões para refletirmos e tentarmos encontrar soluções.

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