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A palavra é: Planejamento

31/03/2011

Antes de apontar culpados para tragédias ambientais como as que ocorreram na região serrana do Rio de Janeiro no início deste ano, onde centenas de vidas foram ceifadas por conta de deslizamentos de encostas, soterramentos, enchentes e consequentes doenças, é preciso detectar as causas destes eventos.

Aquecimento global? Não, não devemos creditar tudo isso a um único fator, quanto mais a algo tão subjetivo, não comprovado e demasiado abrangente.

Na verdade, estes acontecimentos são naturais e previsíveis, principalmente em regiões onde altas taxas pluviométricas estão associadas a características geológicas e geomorfológicas específicas, como elevada declividade e presença de solos frágeis, de grande porosidade, grande quantidade de matéria orgânica, baixa consistência e com pequenas espessuras.

Assim, a palavra que pode resumir estas tragédias é planejamento, ou a falta dele. É isto que está faltando, assim como faltou há 23 anos, quando nos mesmos municípios da serra fluminense dezenas de pessoas morreram por circunstâncias idênticas.

Planejamento urbano inclui uma série de medidas, como investimentos em habitação e saneamento, mas também deve ser concedida especial atenção ao estudo dos fatores ambientais. Ao que parece, isso que vem sendo negligenciado por muitos setores do poder público. Convenhamos, é mais prático, simples e econômico colocar a culpa no aquecimento global.

Estes fatores podem ser determinados em investigações detalhadas para identificação de áreas de risco e, geralmente, seus resultados estão contidos nos Planos Diretores Municipais (PDMs). Nestes Planos, são delimitadas as áreas que não devem ser habitadas e estabelecidas as normas de desenvolvimento e expansão urbana do município.

Portanto, somente com a aplicação eficiente das diretrizes dos PDMs e rígida fiscalização pública da ocupação destas áreas é que poderemos evitar a reprodução de cenas semelhantes.

Cabe lembrar que as áreas de risco geralmente se localizam em regiões de declividade elevada (morros com declividade maior que 30%) e áreas de várzea de rios e córregos (regiões que são inundadas quando o nível do curso d’água se eleva devido às chuvas).

É fundamental que a população exija ações dos governos municipais para que os Planos Diretores entrem em prática, por menores que sejam os registros históricos destes tipos de ocorrência e as características ambientais da nossa região favoreçam a estabilidade dos solos.

Com tais ações, certamente os riscos de que desastres naturais (ou seriam desastres urbanos?) castiguem a população dos nossos municípios serão reduzidos significativamente.

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One Comment leave one →
  1. Lara permalink
    04/04/2011 18:41

    É claro que culpar o aquecimento global é vantajoso… dessa forma o governo continua tomando medidas apenas paliativas e a população continua imprudente, habitando locais de risco… Boa Leo, tá na hora de tomar iniciativas pra reverter essa situação!

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